18.6.08
Boatos de Bar
Alice e o amigo conversavam sobre a vida e sobre música, como sempre, na mesma mesa, com a mesma cerveja e os mesmos dilemas. "Você acha que o último álbum do Interpol é melhor que o primeiro, de verdade?" Ele conta que brigou com a namorada, se roeu de ciúme porque a menina admirou em voz alta uma guitarra enquanto assistiam a um programa na TV, e ela já tinha namorado um cara que tocava guitarra - quem é que nunca namorou um, afinal? "Nossa, fulano tem uma Gibson!" E que enquanto discutiam, ele fez questão de dizer que a única groupie que respeitava nesse mundo era Alice, e explicou todos os motivos pelos quais pensava isso. Ela ficou olhando pra cara do amigo sem saber o que dizer. Não sabia se estava ofendida ou lisonjeada.
14.6.08
Post it
Eu tenho tatuado em um dos pés "Let it Be".
Nas costas, "Se há uma luz quero tocar antes de nunca mais".
Era pra ser tipo um post it, que não me deixasse esquecer.
Do que é, então, que eu tenho tanto medo? Porque é que eu preciso tanto que vocês me digam que eu sou capaz?
Nas costas, "Se há uma luz quero tocar antes de nunca mais".
Era pra ser tipo um post it, que não me deixasse esquecer.
Do que é, então, que eu tenho tanto medo? Porque é que eu preciso tanto que vocês me digam que eu sou capaz?
5.6.08
A mocinha chilena chegou envergonhada, veio fazer o check-out sem saber falar português, sem saber como pedir para o tio vir buscá-la, sem dinheiro trocado. Tentei ajudá-la com meu portunhol macarrônico. Nos entendemos mais com os olhos.
Ganhei dela um sorriso e uma moeda de seu país. "Lembrança de Chile", ela disse. Dei um adesivo. "Lembrança de Brasil". Rimos da simplicidade dos presentes, sorrimos com a doçura do momento. Ela foi embora; meus olhos acompanharam. Espero que ela fique bem.
Ganhei dela um sorriso e uma moeda de seu país. "Lembrança de Chile", ela disse. Dei um adesivo. "Lembrança de Brasil". Rimos da simplicidade dos presentes, sorrimos com a doçura do momento. Ela foi embora; meus olhos acompanharam. Espero que ela fique bem.
2.6.08
...
Sentada num lugar onde todos estão de passagem. Eu parada, sentada. Todos de passagem. Entrando ou saindo para suas vidas. A minha, parada. Às vezes é como eu eu nem mesmo tivesse uma. Uma boneca de sorriso plastificado, olá, bom dia, boa tarde, são 6:30, seu táxi chegou, é só apertar o botão senhor, pois não, obrigada, boa estadia, volte sempre, até logo. E as vidas seguem. A minha parada. Na mesma cadeira, no mesmo lugar.
1.6.08
Primeiro de Junho de 2008
29.5.08
Fico pensando em como transformar saudade em arte, tentar fazer alguma coisa diferente, e não consigo ter nenhuma boa idéia.
Além da saudade, agora me sinto um quase nada.
Preciso preencher os dias, os momentos, a solidão e a rotina com alguma coisa que me faça feliz, e não consigo pensar em nada.
Aí penso em fazer algum trabalho manual e vejo que o que quero fazer, não sei... gostaria de costurar umas almofadas, fazer uns papéis, umas cerâmicas. Sem dinheiro pra aprender e sem o que usar pra tapar o buraco da saudade.
Não sei se é inferno astral.
Tenho uma festinha de aniversário marcada e o desespero é tão grande de ter que encarar as pessoas, do tempo não passar, que sinto vontade de cancelar tudo. E passar o dia dormindo e tentando sonhar.
Além da saudade, agora me sinto um quase nada.
Preciso preencher os dias, os momentos, a solidão e a rotina com alguma coisa que me faça feliz, e não consigo pensar em nada.
Aí penso em fazer algum trabalho manual e vejo que o que quero fazer, não sei... gostaria de costurar umas almofadas, fazer uns papéis, umas cerâmicas. Sem dinheiro pra aprender e sem o que usar pra tapar o buraco da saudade.
Não sei se é inferno astral.
Tenho uma festinha de aniversário marcada e o desespero é tão grande de ter que encarar as pessoas, do tempo não passar, que sinto vontade de cancelar tudo. E passar o dia dormindo e tentando sonhar.
6.11.07
Recuse-se a cair.
Se não puder se recusar a cair, recuse-se a ficar no chão.
Se não puder se recusar a ficar no chão, eleve o coração aos céus e, como um mendigo faminto, peça que o encham, e ele será cheio.
Podem empurrá-lo para baixo.
Podem impedi-lo de se levantar.
Mas ninguém pode impedi-lo de elevar seu coração aos céus - só você.
É no meio da aflição que tantas coisas ficam claras.
Quem diz que nada de bom resultou disso ainda não está escutando.
Clarissa Pinkola Estés
* às vezes sinto que algo está mudando novamente, na cabeça e no coração...
Se não puder se recusar a cair, recuse-se a ficar no chão.
Se não puder se recusar a ficar no chão, eleve o coração aos céus e, como um mendigo faminto, peça que o encham, e ele será cheio.
Podem empurrá-lo para baixo.
Podem impedi-lo de se levantar.
Mas ninguém pode impedi-lo de elevar seu coração aos céus - só você.
É no meio da aflição que tantas coisas ficam claras.
Quem diz que nada de bom resultou disso ainda não está escutando.
Clarissa Pinkola Estés
* às vezes sinto que algo está mudando novamente, na cabeça e no coração...
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